APAE Batatais: 81% do quadro de colaboradores é formado por mulheres

Áreas de atuação se destacam por serem profissões tidas, ainda, como “femininas.


Prestes a completar 50 anos de história, a APAE Batatais se destaca além dos serviços oferecidos nas áreas de assistência social, educação especializada e saúde. A instituição vai na contramão das empresas do Brasil quando o assunto é presença feminina. Hoje, 81% dos seus 106 colaboradores são mulheres e os cargos de gestão são compostos integramente por elas.  


Por meio das áreas é mais fácil entender o cenário. As mulheres são a maioria da força de trabalho na área da saúde no Brasil. De acordo com dados do Censo do IBGE (2010), compilados pela Estação de Pesquisa de Sinais no Mercado (EPSM), no macrossetor da saúde, as mulheres representam 65% dos mais de 6 milhões de profissionais. Na APAE Batatais elas representam 24%.


Dados do Censo Escolar 2018 revelam que entre os professores da educação básica elas são maioria: representam cerca de 80%. Informação que reforça o Censo da Educação Superior 2017, que elencou o curso de pedagogia como primeiro entre os 20 cursos que mais receberam matrículas de pessoas do sexo feminino. Atualmente, 19% do total de profissionais da instituição dedicam-se à educação especial.


Na área de assistência social, não é diferente. Historicamente o serviço social é formado majoritariamente por mulheres. Segundo o Conselho Federal de Serviço Social elas compõem cerca de 90% do mercado de trabalho e também são maioria quando o trabalho é no setor social. Na APAE, o departamento detém 20% das profissionais.


As áreas administrativa, ambiental e de formação profissional agrupam o restante das mulheres, 37%. De acordo com a responsável pela área de recursos humanos, Dirce Possetti, a constituição do quadro de colaboradores impacta diretamente nos serviços prestados. “Apoiamos a diversidade de gêneros entre os colaboradores, mas como podemos analisar pelos dados, as mulheres são maioria nos cursos relacionados o cuidado, à saúde, à educação e à assistência. É natural que elas se destaquem aqui em todos os níveis e deveria ser algo comum em outras instituições e empresas também”, afirma.


Não é difícil encontrar entre as colaboradoras aquelas que têm mais de um expediente e várias responsabilidades no dia a dia, além do profissional. Maria Paula Nascimento Acra é fonoaudióloga há 33 anos e trabalha na APAE Batatais há 11. Para ela, o fato de a fonoaudiologia ser uma área predominantemente feminina, colaborou para não ter enfrentado dificuldades na carreira. “Sempre conciliei a minha vida profissional com a família, amigos e, mesmo agora, na fase mais importante da minha vida, em que sou avó”, relata.


Neusa Salgueiro é cozinheira da APAE há 29 anos e garante que não há dificuldade em equilibrar a vida profissional e pessoal. “Meus quatro filhos foram criados enquanto eu estava trabalhando. E apesar de ser viúva há apenas dois anos, sempre fui responsável por toda a estrutura de casa”, afirma.


No país onde uma mulher é agredida a cada 4 minutos, segundo dados do Ministério da Saúde, também não é raro encontrar aquelas que compartilham experiências de violência. Nem tudo foram flores na vida da auxiliar de enfermagem, Ana Lúcia do Santos. Xuxa, como é conhecida pelos colegas de trabalho, começou a vida profissional conciliando dois trabalhos como faxineira: um na APAE e outro na Santa Casa de Batatais. Foi a saída encontrada na época para sustentar os dois filhos, depois de ter sido abandonada pelo marido, com quem vivia um relacionamento abusivo. “Ele vivia bêbado, drogado e me ameaçava”, relata. Para se proteger, ela abria mão do próprio descanso.


As horas mal dormidas logo começaram a atrapalhar sua vida profissional. Atentas a essa situação, duas profissionais de seu antigo trabalho, uma psicóloga e uma assistente social, ofereceram ajuda e descobriram que o sorriso sempre alegre, escondia a tristeza da violência doméstica. Com o intuito de garantir a integridade da funcionária, a empresa se mobilizou para que Ana Lúcia recuperasse sua autonomia, auxiliando-a em sua separação e, posteriormente, a apoiando nos estudos.


Hoje casada novamente e feliz, Xuxa destaca a importância do olhar feminino que enxergaram a sua situação. Sou muito grata às duas mulheres que me ajudaram e a todas as pessoas que me auxiliaram, graças a elas eu estou aqui hoje bem, sorrindo [de verdade], na enfermagem que é o trabalho que eu amo. Por isso, digo a todas as mulheres, desistir jamais. Ergam a cabeça e vão em frente, procurem ajuda”, aconselha.


Para Carmen Cestari, diretora técnica da APAE Batatais há 30 anos, dos 46 trabalhados – é um privilégio trabalhar em uma organização formada essencialmente por mulheres. “Temos muitas histórias, nem sempre boas; ainda lutamos por espaço, por respeito, por igualdade salarial e para dar conta de todas as nossas demandas. Mas se quisermos falar de igualdade, temos que continuar realizando ao invés de nos compararmos. Todos os dias são nossos”, conclui a diretora.

 

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